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sábado, 10 de maio de 2014

KINTSUGI E AS TERAPIAS PSICOLÓGICAS

Kintsugi e as Terapias Psicológicas Kintsugi (em japonês "carpintaria com ouro") é a arte japonesa de reparo com ouro. Trata-se de uma antiga técnica para consertar objetos frágeis de cerâmica quebrados, rompidos ou com rachaduras, usando a resina da árvore de laca e pó de ouro. Com esta técnica, eles exaltam o dano na peça preenchendo as rachaduras com ouro. Os japoneses acreditam que, quando algo já sofreu danos e, portanto tem uma história, fica mais bonito e único. Nas tradições culturais orientais, embora atualmente estejam em curso algumas alterações decorrentes do processo de globalização, o velho é venerado por sua história e importância. Sejam coisas ou pessoas. Parecem estar mais coerentes com o pensamento delineado por Bert Hellinger, que estabelece a prioridade para quem chegou antes, como sendo uma das ordens do amor universal. Penso então em nossa cultura, onde a inversão destes valores já está em curso há muitas décadas, e aonde chega a ocorrer hoje uma excessiva valorização pelo novo, o inédito, que imediatamente se torna obsoleto e não mais digno de cultos ou venerações. Esta inversão impacta diretamente nossa existência. Ao longo de uma vida são inevitáveis os desencantos, as frustrações e as situações de mágoas, que vão deixando marcas profundas não só no pensamento, mas até mesmo visíveis no corpo, ou mesmo transformadas em doenças através do processo conhecido como somatização. As Terapias Psicológicas atuam de forma muito semelhante ao Kintsugi, e através de suas técnicas, proporcionam o preenchimento das lacunas formadas, com aceitação, amorosidade e reconhecimento pelo esforço realizado. Na cultura japonesa, as peças que recebem esta reparação comumente são mais valorizadas que as que estão intactas, porque sua estética trabalha mais com os conceitos de transitoriedade e impermanência do que com a beleza propriamente dita. Ao contrário de nós que queremos sempre que as coisas voltem a ser como novas, eles querem mostrar que parte do nosso legado é aquilo que tentamos esconder com mais determinação: as nossas falhas e defeitos. Ao invés de se envergonhar pelas “feridas” expostas, as terapias psicológicas buscam significá-las para que seja uma celebração constante da vida cotidiana. Dos pequenos e grandes erros que cometemos e da possibilidade de aprender com isso. Wilson Padua

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